quarta-feira, 14 de maio de 2008

ELEMENTOS BÁSICOS DA COMUNICAÇÃO VISUAL

Elementos básicos da comunicação visual

É pelas dimensões espaciais articuladas por cada elemento, na específica organização de um espaço, que se caracterizam os elementos visuais.

O ponto

- É a unidade de comunicação visual mais simples e irredutivelmente mínima.

- Desenhar um ponto no quadro branco.

- Desenhar um ponto dentro de algumas formas.
- Qualquer ponto tem grande poder de atração visual sobre o olho, exista ele naturalmente ou tenha sido colocado pelo homem em resposta a um objetivo qualquer.

- Desenhar vários pontos juntos.
- Quando vistos, os pontos se ligam, sendo, portanto, capazes de dirigir o olhar.

- Desenhar pontos mais afastados e mais unidos.
- A capacidade única que uma série de pontos tem de conduzir o olhar é intensificada pela maior proximidade dos pontos
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A linha

- linhas nascem da imaginação. Não há linhas corpóreas no espaço natura.
- a linha vai configurar um espaço linear, de uma dimensão. Através dela apreendemos um espaço direcional. As linhas funcionam como setas, dirigindo nossa atenção e dizendo: siga nesta direção ou siga naquela.

- linha horizontal contínua – essa linha é rápida, porque nossa vista a percorre de ponta a ponta sem parar. O movimento visual se dá no espaço e no tempo.

Possibilidades de se modular o movimento da linha – introduzir intervalos.

- linha horizontal descontínua:

- traços horizontais: o intervalo entre os traços interrompe o contínuo fluir.

– linha pontilhada:quanto maiores forem os intervalos em relação aos segmentos lineares, tanto mais lento se tornava o percurso. Os intervalos funcionam como pausas.

- linha horizontal cruzada com pequenos traços verticais: o curso da linha se torna mais lento, só que a causa é uma mudança de direção, uma inversão de horizontal para vertical, a inversão direcional. Entrecortada por pequenos traços verticais, a longa linha horizontal se tornou mais lenta e mais pesada.

- em cada trecho linear, a linha configura uma só dimensão espacial, o que equivale a uma direção no espaço.
- ela é vista como portadora de movimento direcional.
- introduzindo-se intervalos, ou contrastes de direção, reduz-se a velocidade de movimento.
- introduzindo-se pausas e modulando-se as velocidades das linhas, modula-se o fluir do tempo.

- fileira de traços verticais, um atrás do outro – seqüência horizontal, formada por pequenas linhas verticais – uma horizontal composta de inversões e de intervalos – aumento do peso da linha e redução da velocidade do movimento.

- mesma seqüência com pequenos traços diagonais – mais lento

- seqüência de XXX – linha lenta, pesada e densa.

- quanto mais forem os contrastes, mais diminui a velocidade e, em contrapartida, aumenta o peso visual da linha. Assim há sempre um efeito simultâneo que abrange espaço e tempo: maior velocidade = menor peso visual; menor velocidade = maior peso.

Enquanto que a linha evoca toda uma ambiência intelectual, a cor é antes de tudo sensual.
Superfície

- linhas paralelas – trajetórias em movimento.

- linha vertical em cada extremidade das horizontais – retângulo – antes independentes e soltas, agora ao se fecharem sobre si mesmas e se interligarem nesse percurso, as linhas se transformam em linhas de contorno de um retângulo.

- as linhas delimitam uma área e com isso definem a presença de um novo elemento visual, com novas propriedades e novo caráter espacial, a superfície.

- as linhas perdem sua independência e mobilidade anterior, absorvidas num esquema espacial que substitui a projeção no espaço pela expansão da área.

- as linhas não podem mais correr, ficando presas à área que contornam. Quanto mais as duas dimensões se compensarem, proporcionalmente, tanto mais diminui o movimento visual – quadrado e círculo.

- se uma das dimensões prevalecer visualmente, um certo movimento, poderá se restabelecer para a área toda, impulsionado-a na direção dominante.

- efeito característico para as superfícies: reduzindo-se o movimento visual, reduz-se o fluir do tempo.

- compensando-se mutuamente na estrutura da superfície, as duas dimensões estabilizam o espaço e o imobilizam. Se não forem introduzidos novos elementos dinâmicos, de movimento, o espaço aparece idealizado.

- seria um espaço ideal em termos de pura expansão sem indicações de tempo.

- sendo a superfície um elemento de caráter mais estático do que dinâmico, a movimentação terá sempre que ser reintroduzida por outros fatores visuais.

- desenhar livremente retângulos maiores e menores – comparação - tamanho e orientação no espaço.

- desenhar figuras irregulares, com os contornos ondulados – espaço mais animado.

- várias formas, com margens sinuosas e de tamanhos e posições diferentes – movimento visual.

- outras formas bidimensionais – triângulos, losangos, círculos, ovais, formas não geométricas, irregulares, sinuosas, pontudas – ao percebermos tantas formas diferentes, nossa vista as compara entre si, as agrupa, diferencia, destaca – estabelecem movimentos no espaço e também seqüências no tempo, em que se ordenam os acontecimentos em nossa percepção.

- superfícies fechadas – áreas cujas margens nos permitem inferir uma estrutura interna, com centro e eixos.

- superfícies abertas – a matéria é mais transparente e mais indefinida por não haver contornos que condensam o espaço interior da área.
– são menos móveis do que as fechadas, estando imobilizadas naquela faixa que corresponderia à margem, pois lá se interpenetram os espaços interno e externo – são reguladas pela articulação da área interior.

Outra possibilidade formal de se elaborar a superfície:

- desenhar retângulo vertical não muito grande, desenhar outro retângulo igual, colocado um pouco acima do anterior.
- imaginar o primeiro retângulo transparente, de modo a perceber através dele o segundo.

- mesmos retângulos, imaginando que o primeiro seja de um material opaco.
- percebemos uma superposição que dinamiza tudo – visualizamos a noção de profundidade.

- outras superposições – formas não-geométricas não muito irregulares.
- a superposição sempre nos faz perceber o espaço profundo
- sempre ordena os movimentos visuais em direção diagonal
- a relação espacial se torna duplamente dinâmica, pois ocorre na diagonal e em profundidade.

- a superposição só se torna possível com superfícies mais ou menos fechadas, pois nas abertas seria difícil distinguira delimitação das formas no espaço.

- apagar alguns cantos externos – o efeito de aprofundamento do espaço ainda se mantém, fragmentos de uma área se sobrepõe a outra, avançando ou recuando no espaço.

- no lugar dos cantos apagados fazia-se uma espécie de passagem, onde a área se identifica de novo com o plano pictórico.
- Nos lugares aonde a superfície fechada foi aberta, desaparece a indicação de profundidade e o espaço torna-se bidimensional.

- mais superposições – abrir passagens quando sentir o espaço denso demais – temática do cubismo.

- Braque e Picasso.

Volume

- ultrapassa a estrutura bidimensional – elementos mais dinâmicos (luz e cor).

- desenhar dois retângulos horizontais, um menor dentro de outro maior.

- repetir e interligar os cantos dos retângulos com linhas diagonais.

- com linhas diagonais interligadas às horizontais e verticais, o contexto espacial se modifica – o espaço se torna profundo

- dois retângulos em pé, lado a lado, o segundo retângulo um pouco mais elevado.

- repetir o par na mesma posição e interligar os cantos próximos com diagonais
- espaço de profundidade – situação de ambivalência reversível cada um dos retângulos podia ser visto alternadamente avançar ou recuar – quando vistas em conjunto com horizontais e verticais, as diagonais introduzem a dimensão da profundidade.

- dois quadrados superpostos, interligar os cantos com traços diagonais
– cubo – 3 dimensões – largura, altura e profundidade.

- Repetir o desenho do cubo, apagando o lado de trás que transparece na superfície frontal
- havia então duas figuras de cubo, um vazio e outro cheio, um aberto e outro fechado – um espaço côncavo e outro convexo.

- planos relacionados em diagonal, superposições, profundidade e o cheio e o vazio: são estas as qualidades espaciais que podem ser formuladas mediante o volume.

- Caracterizando a forma dada ao espaço, irão definir também as qualidades expressivas do elemento.

- em configurações de volume sempre reencontramos os elementos linha e superfície – em seus aspectos dinâmicos, a diagonalidade (linha) e a superposição (superfície).

- quer seja geométrico ou não-geométrico, qualquer volume representa um conjunto de planos em superposições diagonais. Planos escondidos - cubo

- desenhar cubos fechados menores, um bem pequeno – o espaço configurado nos diversos cubos, grandes e pequenos, teria, proporcionalmente a mesma densidade em todos a matéria pareceria idêntica? Quanto menores, mais compactos pareciam.

- Desenhar um quadro grande e outro bem menor – interligar os cantos com linhas diagonais

- na configuração de volumes e, conseqüentemente, de um espaço que é caracterizado como tridimensional, também os aspectos de escala e magnitudes serão integrados ao esquema de percepção

- quando as formas são análogas, ou mesmo suficientemente parecidas, as de tamanho maior indicam a proximidade em relação à posição do espectador (tempo presente).

- As formas menores indicam afastamento (tempos passados ou futuros).

- Desenhar um cubo enviesado (começar desenhando a linha vertical do meio) – o contexto espacial se dinamizou – maior aproximação, maior afastamento.












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